A Adoração de Imagens
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“Oh Deus! Quem olha para o crucifixo e vê Deus morto em um mar
de dores e de desprezos, como é possível, se O ama, não suportar de boa
vontade, ou antes não desejar sofrer todos os males por Seu amor?” (Sto. Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja). Em março de 1961, Pelé marcou um “gol de placa” (gol que
merece uma placa), contra o time do Fluminense, no estádio do Maracanã. Após
o gol, Pelé dirigiu-se à torcida e beijou sua camiseta, como sinal de amor e
respeito pelo Santos Futebol Clube. O gol foi considerado tão espetacular que
uma placa metálica foi produzida, como “uma homenagem pelo mais belo gol da
história do Maracanã”.
Será que o Rei Pelé, ao beijar a camiseta de seu clube,
pretendeu fazer uma homenagem a uma peça de roupa ou ao time por ela
representado? É evidente que ninguém homenagearia a camiseta Total absurdo, portanto, é o que alguns protestantes mal
informados (e talvez mal intencionados) têm dito a respeito do que seria a
“adoração de imagens” por parte dos Católicos! Além disso, adorar não é venerar, nem, muito menos, idolatrar.
Cada uma dessas palavras tem sentidos distintos, embora nem todos os
dicionários brasileiros de língua portuguesa identifiquem essas diferenças
com o rigor merecido. Se consultarmos dicionários estrangeiros, entretanto,
veremos claramente a enorme distância que existe entre esses termos: Adorar significa “reconhecer Deus como criador de todas as
coisas”. Idolatrar significa, em certo sentido, exatamente o oposto disso,
pois designa “a ação de adorar uma criatura”, ao invés de adorar o Criador. Materialmente, a ação de adorar e a ação de idolatrar são
idênticas. Formalmente, elas são opostas. E para melhor compreendermos a
diferença entre matéria e forma na consideração de uma ação, filósofos
oferecem o seguinte exemplo ilustrativo, baseado nas reflexões de Aristóteles
e São Tomás de Aquino: Se observarmos dois indivíduos, um que é médico e opera o
coração de um doente, e outro que é um assassino, veremos que, materialmente,
eles agem da mesma forma: abrem o peito de um ser humano com um instrumento
perfurador e cortante (bisturi ou punhal). Entretanto, formalmente, suas
ações são opostas, pois um tem por fim salvar uma vida, enquanto o outro visa
tirar uma vida. Assim, quem adora a Deus e quem adora o ídolo fazem,
materialmente, as mesmas coisas, que formalmente são opostas. E é por isso
que existem as palavras “adorar” e “idolatrar”. Infelizmente há dicionários em nossa língua que dizem que
“adorar”, “venerar”, “idolatrar” e “amar extremamente” são sinônimos. E quem
os seguisse concluiria que, quando alguém por exemplo dissesse: - “Eu adoro
chocolate”, estaria considerando que chocolate é o Criador do céu e da terra!
Ou quando alguém dissesse: - “Amo extremamente meus filhos”, estaria, pela
definição desses dicionários, cometendo ato de idolatria, já que amar
extremamente seria o mesmo que adorar. Mas isso seria um enorme absurdo! Nenhum Católico de verdade olha para uma imagem de Nossa
Senhora e dos santos julgando que eles sejam “Deus” e adorando essas imagens.
Nós as veneramos tal qual uma pessoa venera o retrato de seus pais ou avós! Nem na Bíblia e nem na Tradição há qualquer base para a
adoração de imagens, pois adorar é reconhecer a Deus soberano e criador de
todas as coisas. As imagens nos lembram de Deus e das coisas do céu, e não
são “deuses”. É por isso que nós, Católicos, NÃO ADORAMOS NENHUMA IMAGEM. Além disso, está na Bíblia que Deus manda Moisés fazer dois
QUERUBINS de ouro e colocá-los por cima da Arca da Aliança (Ex 25,18-20).
Manda-lhe, também, fazer uma SERPENTE DE BRONZE e posicioná-la por cima de
uma haste, para curar os mordidos pelas serpentes venenosas (Num 21,8-9).
Manda ainda, a Salmão, colocar dois QUERUBINS no Oráculo (I Rs 6,23-35); doze
BOIS na bacia de bronze (I Rs 7,25); BOIS, LEÕES e QUERUBINS (I Rs 7,28-29);
e ainda, “como que figuras de HOMENS EM PÉ”; e há mais citações bíblicas
falando de QUERUBINS, LEÕES e PALMAS (ver I Rs 7,36). Usar fora de contexto e de forma isolada a passagem bíblica
que diz “não farás para ti escultura alguma do que está em cima nos céus, ou
abaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra” (Ex 20,4) como uma
proibição ao uso de imagens, é mal interpretar as Escrituras, que deixam
claro que Deus proíbe apenas fazer imagens de deuses FALSOS e ADORÁ-LOS. Além
disso, essa má utilização das Escrituras seria uma grave blasfêmia, pois
consideraria Deus como incoerente, já que em vários lugares da Bíblia Ele
manda fazer imagens, e em outro lugar as “teria proibido”! Eis o verdadeiro sentido dessa proibição bíblica, no seu
contexto: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da
servidão. NÃO TERÁS OUTROS DEUSES DIANTE DE MINHA FACE. Não farás para ti
escultura alguma do que [daqueles falsos deuses, que na errada imaginação dos
pagãos] está em cima dos céus, ou abaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo
da terra. NÃO TE PROSTRARÁS DIANTE DELES E NÃO LHES PRESTARÁS CULTO, [à
imitação dos pagãos]” (Ex 20,2-5). Esta proibição, intencionada por Deus,
repete-se em vários lugares da Bíblia, como nos trechos acima citados. O fato é que as muitas passagens citadas confirmam a adoção e
a VENERAÇÃO das imagens, como sempre ensinou a Igreja, e nunca a adoração. Todos entendemos que o Rei Pelé, ao beijar a camiseta, não
venerou um pedaço de roupa, mas o clube por ela representado. Não há quem
ache, também, que ao beijar a camiseta, Pelé a estaria “divinizando”, ou ao
seu clube! E, por outro lado, toda a torcida aplaude o jogador que, em um ato
assim, mostra respeito e amor pelo clube a que pertence. Analogamente, agrada a Deus a religião que, fazendo imagens
para lembrar do céu e venerar, não as adora. É isto que está na Bíblia. É
isto o que faz a Igreja Católica, para agradar a Deus!
Informações adicionais sobre o presente tema podem ser obtidas
no livreto “Respostas da Bíblia”, escrito pelo Pe. Vicente Wrosz (SVERDI -
Curitiba), o qual recebeu o “Imprimatur” de Dom Pedro Fedalto. Adicionalmente, há várias informações bastante úteis sobre
esse assunto no website http://www.montfort.org.br. Texto escrito por E publicado no jornal ´O CAPUCHINHO´ em Outubro de 2006. Curitiba – PR. Para recomendar esta página a alguém, clique no escudo acima. |