A Formiga
Carregadeira
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Eis que os olhos do Senhor estão
sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua benignidade, para os livrar
da morte, e para os conservar vivos na fome.
A nossa alma espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo.
Pois nele se alegra o nosso coração, porquanto temos confiado no seu santo
nome. Seja a tua benignidade, Senhor, sobre nós, assim como em ti esperamos.
(Salmos 33, 18-22) Quando criança, costumava brincar de esconde-esconde com meus
amigos da vizinhança. No entanto, eu nunca tinha paciência suficiente para ficar
escondido por muito tempo em algum canto, esperando que me achassem. Logo
cansava, revelando-me, e (é claro!), sendo perdedor na brincadeira.
Uma vez, porém, escondi-me entre uma árvore e um muro. Foi
quando percebi a presença de uma pequena formiga, que insistentemente tentava
escalar o muro, carregando com ela um pedaço de folha que era muito maior que
seu próprio corpo.
Comecei então a contar quantas vezes ela caía, voltava ao
ponto inicial, pegava a folha novamente e, então, retomava sua escalada.
Foram setenta e sete vezes até que ela, finalmente, chegou com a folha no
topo do muro. Nunca mais esqueci aquela cena, que, além de me
ensinar muito sobre o valor da persistência, fez-me ganhar no esconde-esconde
pela primeira vez (e fiquei tão bom naquela brincadeira que, em pouco tempo,
ninguém mais queria brincar daquilo comigo!). Hoje, adulto, percebo que é a perseverança
que revela a fé genuína. A Bíblia diz que “aquele que perseverar
até o fim, esse será salvo” (Marcos 13, 13). E Jesus nos ensina que “devemos
orar sempre, sem esmorecer” (Lucas 18, 1). Agora, leia este parágrafo com a maior
atenção: a
oração que toma como motivo para desânimo o fato de preces passadas não terem
sido atendidas, já deixou de ser uma oração de fé. Para uma real oração de
fé, a ausência de resposta é somente uma evidência de que o momento dessa
resposta está muito mais próximo. Ficou entendido? São Mateus sintetiza isso
da seguinte maneira: “pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e
abrir-se-vos-á.” (Mateus 7, 7). Se o Senhor está nos fazendo esperar, devemos mencionar o
assunto a Ele outra vez, mas façamo-lo sempre como alguém que está crendo.
Devemos “orar sem cessar” (1 Tessalonicenses 5, 17), de tal modo a nunca
perdermos a fé, mas crescermos na fé; e “devemos sempre dar graças por tudo a
Deus, nosso Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios
5, 20), pois Ele é o Criador de tudo e de todos, e através do Espírito Santo,
que é o Consolador, jamais falha. Como diz a Bíblia, “espera no Senhor, anima-te e Ele
fortalecerá o teu coração” (Salmos 27, 14). O verdadeiro poder da oração vem
daquele que persevera, que insiste na petição e a renova a todo instante,
tomando forças a partir da sua oração anterior. Oração e perseverança devem estar sempre
juntas; e louvor a Deus, sempre presente. Orar é como fazer algum esporte: se um
atleta passa um único dia sem praticar, já nota a diferença. A perfeição só vem
através do exercício permanente. Se um nadador deixar de praticar, sabemos
qual será o resultado. Devemos exercer nossa prática religiosa
com o mesmo espírito dos esportistas, e seguindo o belo exemplo da formiga
carregadeira: Só assim caminharemos para a perfeição, e
só assim começaremos a vencer, pois àqueles que perseveram,
Deus lhes promete vitória (veja Filipenses 3, 13-14).
Texto escrito por em 8 de janeiro de
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