A Paz Perfeita

 

 

“Não andeis ansiosos de coisa alguma;

em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições,

pela oração e pela súplica, com ações de graças”

(Filipenses 4,6).

 

 

Certa vez, ouvi a história de um rei que promovera um concurso para a escolha da melhor pintura que retratasse ‘a paz perfeita’.

 

Os dois melhores artistas da época apresentaram as suas obras.

 

Na primeira, havia um lindíssimo lago de águas límpidas e serenas, todo rodeado de belas flores que, com as cores do azul e laranja do entardecer, formavam uma atmosfera de pura mansidão e encantamento.

 

Na outra pintura, o rei estranhou a presença de uma montanha muito íngreme e rochosa, bem como de nuvens negras e pesadas que produziam uma violenta tempestade, com fortes raios atingindo o topo da montanha. Nada daquilo proporcionava qualquer impressão de um ambiente de paz.

 

Entretanto, ao deter-se mais atentamente àquela estranha obra, o rei finalmente percebeu a existência de uma pequena abertura na montanha. Foi quando reparou que, dentro dela, havia um frágil e delicado pássaro, que apesar da severidade e agressividade de todas as condições externas, encontrava-se totalmente tranqüilo e sereno, construindo calmamente o seu ninho.

 

 

O rei não teve qualquer dúvida ao escolher como vencedor o segundo quadro. E você sabe por que motivo?

 

Porque”, explicou o rei, “ter paz não significa estar em um ambiente sossegado, ou longe de todo problema e dificuldade. Pelo contrário, ter paz é permanecer sempre com o coração tranqüilo e sereno, apesar das tribulações por que passamos”.

 

Isso deve estar na natureza daquele pássaro”, prosseguiu o rei, “por outro lado, para nós humanos, Nosso Senhor indica que a paz só pode ser obtida através da oração, e nos promete que, quando oramos com verdadeira fé e perseverança [Hebreus 11,6], o Espírito da Paz é sempre alcançado [São Lucas 11,13]. E esta, somente esta, é a paz perfeita: a que não se obtém pelos nossos próprios méritos, mas a que provém da divina graça, como resultado de um pedido que fazemos a Deus Pai, com plena confiança, em nome de Jesus Cristo [ver São Mateus 7,7-11 e São João 14,13]”.

 

Considerai os pássaros, que não semeiam nem ceifam;

não têm despensa nem celeiro; contudo, Deus os alimenta.

Quanto mais não valeis vós do que as aves!

Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja

 pode fazer qualquer coisa pelos seus próprios méritos?

Portanto, se não podeis fazer nem coisas mínimas, por que estais ansiosos?

Não andeis preocupados pelas coisas que os povos do mundo procuram;

pois vosso Pai sabe que precisais delas.

Buscai antes o Seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas

(adaptado de São Lucas, Cap. 12).

 

 

 

Texto escrito por

Marcos de Lacerda Pessoa

em agosto de 2006.

 

 

 

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