Amor Infinito

 

 

Os exames mostraram que era uma menina, e todos os dias João Pedro cantava perto da barriga de sua mãe. Ele já amava a sua irmãzinha antes mesmo dela nascer.

 

A gravidez se desenvolveu normalmente. No tempo certo, vieram as contrações. Primeiro, a cada cinco minutos; depois a cada três; então, a cada minuto uma contração.

 

Entretanto, surgiram algumas complicações e o trabalho de parto de Maria Fernanda demorou horas. Todos discutiam a necessidade provável de uma cesariana. Até que, enfim, depois de muito tempo, a irmãzinha de João Pedro nasceu. Só que ela estava muito mal.

 

 

Com a sirene no último volume, a ambulância levou a recém-nascida para a UTI neonatal do Hospital Pequeno Príncipe. Os dias passaram. A menininha piorava. O médico disse aos pais: "Preparem-se para o pior. Há poucas esperanças".

 

Maria Fernanda e seu marido começaram, então, os preparativos para o funeral. Alguns dias atrás estavam arrumando o quarto para esperar pelo novo bebê. Hoje, os planos eram outros.

 

Enquanto isso, João Pedro todos os dias pedia aos pais que o levassem para conhecer a sua irmãzinha. "Eu quero cantar pra ela", ele dizia. A segunda semana de UTI entrou e esperava-se que o bebê não sobrevivesse até o final dela.

 

João Pedro continuava insistindo com seus pais para que o deixassem cantar para sua irmã, mas crianças não eram permitidas na UTI. Entretanto, Maria Fernanda decidiu. Ela levaria João Pedro ao hospital de qualquer jeito. Ele ainda não tinha visto a irmã e, se não fosse hoje, talvez não a visse viva.

 

Ela vestiu João Pedro com uma roupa um pouco maior, para disfarçar a idade, e rumou para o hospital. A enfermeira não permitiu que ele entrasse e exigiu que ela o retirasse dali. Mas Maria Fernanda insistiu: "Ele não irá embora até que veja a sua irmãzinha!" Então ela levou João Pedro até a incubadora. Ele olhou para aquela trouxinha de gente que perdia a batalha pela vida. Depois de alguns segundos olhando, ele começou a cantar uma música que aprendera na Igreja, com sua voz pequenininha:

 

"Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai...

 

Nesse momento, o bebê pareceu reagir. A pulsação começou a baixar e se estabilizou. Maria Fernanda encorajou João Pedro a continuar cantando.

 

“Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus, pois ela, ela te sustentará...


Enquanto João Pedro cantava, a respiração difícil do bebê foi se tornando suave. "Continue, querido!", pediu Maria Fernanda, emocionada "Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai...” O bebê começou a relaxar. "Cante mais um pouco, João Pedro". A enfermeira começou a chorar. "Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus, pois ela, ela te sustentará...” No dia seguinte, a irmã de João Pedro já tinha se recuperado e em poucos dias foi para casa. Os médicos consideraram o caso como um “MILAGRE”. O jornalzinho do bairro imprimiu em sua manchete: “O MILAGRE DA CANÇÃO DE UM IRMÃO”. Maria Fernanda chamou de “AMOR INFINITO”.

 

 

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