Escancare a sua porta!

 

 

“...batei e abrir-se-vos-á”

(Mateus 7, 7; Lucas 11,9)

 

 

Uma porta, um pedido, uma recusa: foi uma longa busca naquela fria noite de dezembro.

 

Mais uma porta, mais uma rejeição.

 

E, de ‘não’ em ‘não’, aquele casal muito caminhou noite adentro, batendo em todas as portas; até que, finalmente, obtiveram acolhida.

 

Era um lugar onde não havia portas, mas que pode lhes proporcionar abrigo e pousada. Os hospedeiros, um boi e um burro, não recusaram dividir com eles sua morada, em um pequeno estábulo.

 

Era a noite de Natal.

 

Boi e burro foram, assim, testemunhas do maior mistério da história, em uma noite que dividiria os tempos para sempre. Boi e burro tomaram o lugar destinado aos homens, na recepção do Deus feito homem.

 

Boi e burro, que sempre serão lembrados em nossos presépios, como símbolos do povo eleito e dos pagãos; e da frieza do coração humano, que recusou acolher o Menino Deus em sua chegada ao mundo.

 

Durante toda a Sua pregação, Nosso Senhor não fez senão repetir o gesto de Maria e José, sempre batendo à porta das almas. Mas só se sucederam recusas: dos escribas, dos fariseus, do povo judeu, dos gentios e até mesmo, no momento culminante de Sua vida, a negação de seus próprios amigos, discípulos e apóstolos.

 

Ao se passarem 2004 anos, percebemos com tristeza que nada mudou, pois Jesus Ressuscitado continua batendo à nossa porta, mas muitos de nós fazemo-nos de surdos e, simplesmente, O ignoramos.

 

Hoje, como no Natal do Senhor, há muitos que sabem onde Ele está, mas não vão ao Seu encontro, deixando Jesus no esquecimento; ou, ainda pior, preferindo relegá-Lo ao abandono.

 

Mas Jesus em seu imenso amor, para penetrar nas duras muralhas do coração humano, não deixa nunca de bater à nossa porta, esperando que a abramos, para que Ele nasça e viva plenamente em nossas almas.

 

“Eis que estou à porta e bato;

se alguém ouvir minha voz e me abrir a porta,

eu entrarei e cearei com ele e ele comigo”

(Ap. 3, 20).

 

Que neste tempo de Natal e Advento você escancare a sua porta e, definitivamente, acolha o Menino Jesus.


Como O acolheram o boi e o burro naquela distante noite fria.

 

Na manjedoura de Belém.

 

Feliz Natal!

 

 O texto desta história,

a qual já circulou na Internet,

foi adaptado por

Marcos L. Pessoa

para publicação na Edição de Natal

do jornal “O Capuchinho”,

Ano V, Set. a Dez. de 2004,

Paróquia de N. Sra. das Mercês

Curitiba – PR.

 

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