Está Vendendo como Pão D’água

(ou: “Da Vinci, o Código Imbecil”)

 

 

 

Se você conheceu Curitiba de 30 anos atrás, então lembra do tradicional Pão D’água, que se constituía de longe no produto mais vendido em todas as padarias da cidade.

 

E, era exatamente por esse sucesso de comercialização que, quando alguma mercadoria qualquer vendia muito, o curitibano costumava usar a expressão: “está vendendo como Pão D’agua”.

 

 

Hoje, podemos dizer que o livro “O Código Da Vinci” está vendendo como Pão D’água, no Brasil e no mundo.

 

O curioso é que há muitos Católicos que jamais leram a biografia de algum Santo, nem um documento oficial da Igreja, nem uma encíclica Papal; jamais abriram o Catecismo, não leram e nem lêem a Bíblia ou qualquer referência que tenha aprovação eclesiástica. Mas, quando tomam conhecimento do tal livro, que diz que Jesus Cristo casou-se com Maria Madalena e foram viver na Gália, correm para comprá-lo e procuram lê-lo rapidamente, passando em seguida a concordarem com a publicação e a defenderem o seu autor.

 

Estes, nunca se dispuseram a conhecer a doutrina da Igreja para poderem defendê-la, e teriam grande dificuldade em lembrar dos ensinamentos rudimentares que receberam durante o seu catecismo de primeira comunhão. Mas agora falam do tal livro como se, de repente, “a verdade” lhes tivesse aparecido!

 

Pessoas com esse comportamento não podem ser levadas a sério: afirmam-se católicas, mas não o são de fato.

 

O autor do livro, Dan Brown, é um inglês com menos de 40 anos de idade. Ele inventa fatos para provocar a autoridade da Igreja, a exemplo de um comediante que cria piadas para as pessoas rirem das autoridades de seu país.

 

No livro, Dan Brown fala sobre uma “conspiração” da Igreja para ocultar “a verdade” sobre Cristo, ou seja, de que Ele só passou a ser considerado Deus a partir do Século IV! E além de negar a divindade de Cristo, o autor diz que o Cristianismo, como o conhecemos hoje, “foi  invenção de Constantino Magno, um imperador pagão”. Diz ainda que Maria Madalena seria divina (o cálice de Cristo, isso é, o Santo Graal), que ela e Jesus seriam os progenitores de uma linhagem de governantes europeus e que ela estaria sepultada sob a pirâmide invertida de vidro no Louvre, em Paris, “onde ainda hoje se poderiam sentir emanações de seu espírito divino”. E o autor apresenta, ainda, mais um monte de imbecilidades.

 

O inusitado é que poucos ousam criticar tamanha invencionice! Afinal, ele sabe que 99 dentre 100 leitores não irão estudar ou fazer qualquer pesquisa para constatar se existe algum fundamento naquilo que ele escreve.

 

E esses 99 leitores se gabam de terem lido o tal livro, sempre citando que a publicação está há várias semanas na lista das mais vendidas, publicada por uma revista de circulação nacional (que, diga-se de passagem, não mede esforços para criticar a Igreja Católica). Como se pertencer à tal lista qualificasse a obra! E assim a asneira, de repente, ganha formas de inteligência. E os neo-inteligentes leitores passam a defendê-lo com unhas e dentes. O resultado é que tal livro vira sucesso por questionar, e ai daqueles que o questionarem!

 

Levianamente Dan Brown lança suspeitas, sem provas nem explicações. Que os leitores fiquem com as dúvidas, enquanto ele fica com o lucro das enormes vendas de sua “obra prima”. Ele passa a ser consagrado como o mestre das controvérsias, sem qualquer compromisso com a verdade. Que os leitores provem que ele está errado. Mas uma coisa é certa: ele já conseguiu demonstrar que é craque em semear dúvidas e vender livros. E, além disso, mais uma vez prova-se que as editoras não aceitam qualquer coisa: somente aquilo que vende, mesmo que só reúna mentiras.

 

Há 30 anos atrás, os supermercados que chegavam à Curitiba, visando lucro, fortaleceram a venda do pão francês e minaram os negócios de muitos padeiros que produziam Pão D’água na cidade. Alguns dos padeiros, entretanto, procuraram conhecer mais sobre o pão francês, adaptaram suas linhas de produção, e sobreviveram bravamente ao intrépido ataque.

 

 

De modo semelhante, Dan Brown está infelizmente minando a Fé de muitos Cristãos que não possuem o conhecimento e o preparo necessários. Cabe, aos que não quiserem ser enganados, procurarem a Verdade (Jo 14,6), expressa nas revelações que estão há milhares de anos contidas na Bíblia, bem como nos ensinamentos que se encontram presentes no Catecismo Romano, no Catecismo da Igreja Católica e nos vários outros documentos publicados ou oficialmente reconhecidos pela Santa Igreja de Roma.

 

A busca pelo maior conhecimento de Deus (Os 6,3; Sl 42,2) e do real pensamento Católico, aliada à Fé (Hb 11,1; Ef 6,16) e à prática da oração contínua (I Ts 5,17; Ef 6,18), nos fará sobreviver com bravura e firmeza (Ef 6,14) a esses ataques de quem (Ef 6,11), visando o lucro financeiro e a perdição das almas, procura maliciosamente nos enganar (I Jo 2,26), pervertendo os caminhos retos do Senhor (At 13,10). E as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja de Jesus Cristo (Mt 6,18).

 

 

Texto escrito por

Marcos de Lacerda Pessoa

e publicado no jornal “O Capuchinho”,

Paróquia de N. Sra. das Mercês,

Curitiba – PR,

Março de 2005.

 

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