Jesus mora lá!
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Afonso,
um garoto de 5 anos de idade, abre seus olhinhos com muito esforço, tendo a
impressão de que dormiu por vários dias seguidos. Suas
pálpebras estão pesadas, parecendo haver um tijolo sobre cada uma delas. Ao movimentar
a cabeça, logo percebe que a cama em que está deitado não é a sua cama; e que
aquele quarto não é o seu quarto. Olha para o outro lado e encontra seu pai
de pé, ao lado da cama, segurando a sua mãozinha. Nota que o pai está com o
olhar tenso e isso preocupa Afonso, que logo pergunta: ¾ “Pai, onde estou? O que aconteceu?”
¾ “Você está em um hospital, meu filho. Sofremos um
acidente.” ¾ “E onde está a mamãe?” O
pai de Afonso engasga. Suas pernas amolecem, sua espinha gela. A mãe do
garoto não sobrevivera ao acidente, mas isso seria a última coisa que ele
desejaria contar para o ¾ “Hoje à tarde iremos operar o seu coração. Esta máquina
mostra que você está com alguma dificuldade no momento. Provavelmente é o que
chamamos de ‘derrame pericárdico’, mas será somente através da cirurgia que
encontraremos o problema exato.” Afonso,
sem demonstrar qualquer preocupação com o que estava ouvindo, olha
serenamente para o médico e lhe diz: ¾ “O senhor vai ver Jesus no meu
coração.” O
médico, insensível ante as palavras do garoto, continua com sua explicação: ¾ “Provavelmente o acidente danificou
algo ¾ “O senhor vai ver Jesus no meu coração”, diz
novamente Afonso,
“também tenho certeza disso.” O
médico então olha para seu relógio e decide encerrar aquela conversa, pois
ainda tinha vários pacientes para visitar naquela manhã. ¾ “Garoto”, finaliza o médico, “você pode acreditar no que está me
dizendo, mas tenho a obrigação de alertar, a você e a seu pai, para uma
realidade: a situação de seu coração é muito grave!” ¾ “Mas como eu já lhe disse”, prossegue Afonso com o mesmo suave e tranqüilo tom
de voz, “o senhor vai
encontrar Jesus no meu coração. No domingo, o padre sempre nos conta a mesma
coisa... Jesus mora lá! Os cantos da missa falam isso. O senhor encontrará
Jesus lá dentro.” O
médico, já aborrecido com a dificuldade do menino em aceitar a realidade,
resolve sair do quarto. Mais
tarde, tendo terminado a cirurgia e ainda no hospital, o médico recosta-se na
poltrona de seu consultório, pega uma prancheta e começa a escrever as
informações a respeito da operação. Anota os diversos danos que o acidente
causou e estima uma sobrevida de no máximo um dia para o garoto.
Em
seguida, extenuado pelas tensões que aquele dia lhe havia proporcionado e sem
mais se dar conta do que estava fazendo, o médico adormece na poltrona,
deixando a prancheta cair sobre o tampo da mesa. Imediatamente, ele começa a
sonhar... Sonha
que está falando com Jesus, e diz para Ele: ¾ “Por que isso está ocorrendo com o garoto? Por que Deus
o colocou neste mundo e agora tira a vida do menino, tão cedo e de modo tão
cruel?” E
Jesus lhe responde: ¾ “O Afonso é um de meus anjinhos, e
sempre o será. Em breve ele estará ao meu lado, e aqui não poderá sofrer dor
alguma, e obterá amor e proteção tão imensas, que você não pode ao menos
imaginar. Ele viverá aqui sob o carinho de sua mãe, até que um dia seu pai se
unirá aos dois, e a família então conhecerá Paz e Alegria infinitas. E assim,
o reino do Pai continuará crescendo.” Mas
o médico, inconformado com a situação do menino, não abandona seu sentimento
de que algo injusto está para acontecer com Afonso. Volta-se então novamente
a Jesus e pergunta: -
“Mas ele é apenas um garoto, que nunca fez mal a ninguém! Por que deverá
morrer tão cedo?” ¾ “Não se deve julgar”,
diz Jesus, “pois Deus tem um plano para cada
pessoa, e somente Ele possui a visão completa sobre os Santos Caminhos que
traça.” ¾ “Santos Caminhos? Eu acho que diria... “injustos caminhos!”, fala o médico, não escondendo sua
raiva diante daquela situação. ¾ “Como lhe disse”, fala Jesus, “Afonso é um anjinho, e veio para
esse mundo para cumprir uma importante missão.” ¾ “Jesus, sei que não sou digno de lhe
pedir qualquer coisa. Não tenho sido exemplo para ninguém. Nesses anos todos,
esqueci de minha família, desprezei meus amigos e fiz muitas coisas das quais
eu próprio me envergonho. Mas Jesus, esse menino é muito jovem, por favor não
o abandone agora!” E
ao perceber o enorme sofrimento daquele homem, Jesus abraça o médico e lhe
diz: ¾ “Fique tranqüilo, meu filho. O Afonso não mais precisará
partir para cumprir sua missão na terra, pois o grande amor que você está
demonstrando agora, é para Mim mais do que suficiente. Vejo que a grande
missão do menino, que era trazer você até a Mim, já está cumprida.” Ao
ouvir isso, o médico acorda assustado e percebe que seus olhos estão cheios
de lágrimas. Dirige-se então para o quarto de Afonso, e lá encontra o menino
sentado na cama, sorrindo ao lado do pai. O médico olha para os equipamentos
e nem consegue acreditar: os gráficos mostram uma fantástica recuperação de
Afonso. ¾ “E então, o senhor abriu o meu
coração?”,
pergunta-lhe Afonso. O
médico abraça o menino, beija-o, e com uma voz emocionada responde: ¾ “Sim, abri...” ¾ E o que o senhor achou por lá?”, pergunta o garoto. ¾ “Eu encontrei Jesus...” Texto escrito por para o jornal
‘O Capuchinho’ Curitiba
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