Léo e a Professora
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Relata a Professora Ana que, no
primeiro dia de aula, parou em frente de seus alunos da 5ª série do 1° grau
e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por
igual. No entanto, ela sabia que isto era quase
impossível, já que na primeira fila estava sentado um pequeno garoto chamado Léo. A professora havia observado que ele não se dava bem
com os colegas de classe e, muitas vezes, suas roupas estavam sujas e
cheiravam mal. Houve até momentos em que ela sentia prazer em dar notas
vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos. Ao iniciar o ano letivo, era
solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos,
para tomar conhecimento das anotações feitas em cada ano passado. A professora
Ana deixou a ficha de Léo por último. Mas quando a
leu foi grande a sua surpresa. A professora do 1º ano escolar de Léo havia anotado seguinte: Léo
é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos estão em ordem e muito
nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele. A professora do 2º ano escreveu: Léo é um aluno excelente e muito querido por seus
colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma doença grave
e desenganada pelos médicos. A vida de seu lar deve estar sendo muito
difícil. Da professora do 3º ano constava a
anotação seguinte: A morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Léo. Ele procura fazer o melhor mas seu pai não tem
nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar
providência para ajudá-lo.
A professora do 4ºano escreveu: Léo anda muito distraído e não mostra interesse algum
pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula. A professora Ana se deu conta do
problema e ficou terrivelmente envergonhada. Sentiu-se ainda pior quando
lembrou dos presentes de Natal que os alunos lhe haviam dado, envoltos em
papéis coloridos, exceto o de Léo, que estava
enrolado num papel marrom de supermercado. Lembra-se de que abriu o pacote
com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver uma pulseira faltando
algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das piadas, ela
disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de
perfume sobre a mão. Naquele dia Léo lhe disse que
ela estava cheirosa como sua mãe. Naquele dia, depois que todos os alunos
foram, a professora Ana chorou por longo tempo... Em seguida, decidiu-se a
mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos,
especialmente a Léo. Com o passar do tempo, ela notou
que o garoto só melhorava. E quanto mais ela lhe dava carinho e atenção mais
ele se animava. Ao finalizar o ano letivo, Léo saiu
como o melhor aluno da classe. Um ano mais tarde, a professora Ana
recebeu uma notícia em que Léo lhe dizia que ela
era a melhor professora que teve na vida. Seis anos depois recebeu outra
carta de Léo contando que havia concluído o segundo
grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera. As notícias
se repetiram, até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Um dia, Ana recebeu outra carta em
que Léo a convidava para seu casamento e noticiava
a morte de seu pai. Ela aceitou o convite e, no dia do casamento, estava
usando a pulseira que ganhou de Léo anos antes, e
também o perfume. Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo
e Léo lhe disse ao ouvido: ¾ “Obrigado
por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso
fazer a diferença.” Mas ela, com os olhos banhados em
pranto, sussurrou baixinho: ¾ “Você
está enganado! Foi você que me ensinou que eu podia fazer a diferença, afinal
eu não sabia ensinar até que o conheci.” É preciso aprendermos a reconhecer os apelos silenciosos que ecoam
na alma das pessoas que nos cercam. Para recomendar esta página a alguém, clique no escudo acima. |