Meu Amor é
Cristão?
|
|
Há fatos,
da infância, que nunca esquecemos. Um
desses acontecimentos, que me marcou profundamente, ocorreu na festa junina
da escola, quando eu tinha 9 anos de idade.
No meio
das várias brincadeiras, um colega de sala decidiu explodir uma bombinha
segurando-a na mão, dizendo-nos que já estava acostumado a fazer aquilo. Só
que, daquela vez, o destino lhe foi cruel, pois sob o olhar de todos os
colegas a bomba impiedosamente lhe decepou parte de três dedos. Começou grande
correria e o desespero tomou conta de muitos. Imediatamente, nosso amigo
passou a ser atendido por um médico que estava presente à festa. O que
completou a nossa comoção, entretanto, foi quando a irmãzinha de nosso ferido
colega dirigiu-se ao médico e lhe disse: ¾ Doutor, o senhor pode colocar os meus dedos na mão de
meu irmão? Por favor? No dia
25 de janeiro deste ano, Bento XVI publicou sua primeira encíclica,
intitulada “Deus Caritas Est”. Encíclica
é uma carta destinada ao benefício e à reflexão de toda a Igreja. Esta em
especial já se tornou muito significativa, ao abordar, tanto na perspectiva
teórica quanto prática, as exigências concretas da caridade e do amor. O
verdadeiro amor –diz-nos o Papa– não é aquele em que a pessoa busca, através dele,
a sua própria satisfação; mas é o que leva cada um à renúncia e à doação,
agindo, natural e espontaneamente, pela honra e glória de Deus e pelo bem do
próximo. Aquela
menininha da festa junina, ao oferecer os seus próprios dedinhos pelo irmão,
conhecia muito bem o real significado do amor. O amor da pessoa que é capaz
de se entregar e de se doar por aquele a quem ama. No
sacrifício da cruz, Jesus se entregou totalmente e se doou por você e por mim
(veja Jo 15,13). A partir daquele ato, passamos então
a verdadeiramente conhecer o real sentido do amor Cristão. Amor, este, que se repete a cada Santa
Missa, quando o sacrifício do Calvário é renovado e Jesus, no seu infinito
amor, entrega-se novamente por cada um de nós. Nas
Santas Missas, todo Cristão sente-se impelido a interiorizar este amor, que
deve também, ao mesmo tempo, sair para fora do espaço da paróquia, passando a
ser manifestado em todas as situações da vida. Jesus é
a luz do mundo (Jo 8,12) e nos ama profundamente (Jo 15,9). Mas ele também nos convida a sermos luz (Mt
5,14-16), uns para os outros, e a estarmos sempre espalhando esse amor em
volta de nós: na nossa família, no nosso círculo de amigos, no trabalho, em
todos os meios em que vivemos.
O amor
de Jesus não basta ser reconhecido, mas precisa ser,
por cada um de nós, interiorizado. O amor de Jesus não
basta ser por nós interiorizado, mas precisa ser, por cada Cristão,
vivido. O amor de Cristo não basta ser por nós
vivido, mas precisa ser permanentemente comunicado, o que é dever absoluto de
todo Cristão. O meu amigo ferido teve os seus dedos totalmente recuperados,
graças ao enxerto feito com as próprias pontas que se haviam desprendido de
sua mão. Hoje, nem as cicatrizes podem
ser facilmente vistas. Mas aquela noite, dia de São João, nos marcou
definitivamente pela compreensão do imenso ato de amor demonstrado pela sua
irmãzinha. “Ninguém tem maior amor do que este, de
dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós
sois meus amigos, se
fizerdes o que eu vos mando. O
meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,12-14) Texto escrito por e publicado no jornal ‘O Capuchinho’, Paróquia de Nossa Senhora das Mercês, Curitiba - PR Ano VII, Jan. e Fev. de 2006.
Para recomendar esta página a alguém, clique no escudo acima. |