O Crucifixo

 

 

O crucifixo é o símbolo de Cristo, o Redentor, “o sinal do Filho do homem (...), com poder e grande glória” (Mt 24,30).

 

Para os Católicos, o crucifixo –preferencialmente com a figura do Cristo– representa Jesus Crucificado, a fim de que seja sempre lembrado o Seu sofrimento por nós. Já para os protestantes, que geralmente usam uma cruz sem a figura do Cristo, a ênfase maior está na ressurreição de Jesus.

 

 

Com todo tipo de material, tamanho e cor, inúmeros escultores e pintores têm reproduzido a cruz, símbolo do Deus que se fez homem e que morreu para nos salvar. A representação de Nosso Senhor na cruz é um dos mais antigos e disseminados sacramentais da Igreja. Nós Católicos a penduramos no peito, a colocamos em nossas residências, nas escolas e no trabalho, pois desejamos sempre lembrar que, ao morrer na cruz, Jesus livremente se pôs no limite máximo do amor por nós.

 

“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo 10,7-11).

 

Pelo menos três perguntas vêm à mente de uma pessoa que contempla piedosamente o crucifixo:

 

1. Quem está pendurado na cruz? Está lá, verdadeiramente, o Filho de Deus. E isso pode ser provado pelos vários mistérios que acompanharam a morte de Jesus:

 

“E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona” (Mt 27,45).

 

Não foi um simples eclipse do Sol, pois a Lua estava então na fase cheia; e também porque um eclipse como aquele pode durar no máximo oito minutos; além disso, pelo fato de que não há qualquer registro astronômico da ocorrência de um eclipse naquele ano.

 

“E eis que o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu, as pedras se fenderam, os sepulcros se abriram, e muitos corpos de santos que tinham dormido foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos” (Mt 27,51-53).

 

Todos esses acontecimentos fantásticos nos fazem exclamar com o centurião:

 

“Verdadeiramente este era Filho de Deus!” (Mt 27,54).

 

2. O quanto Cristo sofreu? Muitos foram os flagelos sobre Jesus, sendo que os Seus tormentos foram tão severos que a mera antecipação deles fizeram-no suar sangue!

 

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão” (Lc 22,44).

 

Nosso Senhor passou por muitas torturas em toda parte de Seu corpo, sendo açoitado e flagelado sem qualquer piedade. Foi, então, coroado com espinhos.

 

...“e tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e na mão direita uma cana, e ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e davam-lhe com ela na cabeça” (Mt 27,29-30).

 

Foi depois forçado a carregar Sua pesada cruz, descalço, por uma rua de pedregulhos, sendo em seguida pregado pelas mãos e pelos pés. Sofreu de sede agonizante, quando lhe deram vinagre para beber. Além disso, seus sofrimentos mentais foram extremos: houve o sentimento de amor rejeitado; houve a ingratidão por Seus muitos favores e milagres; houve uma dolorosa compaixão ao ver a aflição de Sua desolada mãe ao pé da cruz.

 

3. Por que Cristo sofreu? É certo que Ele sofreu a fim de nos dar um exemplo para cada virtude santa a incorporarmos em nossas vidas. Mas Ele sofreu, principalmente, com o propósito de nos reconciliar com Deus e reabrir, para os que nEle crêem e aos verdadeiramente arrependidos, as portas do paraíso.

 

“Eu, que sou a luz, vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” (Jo 12,46-47).

 

Todos esses pensamentos nós podemos e devemos extrair de cada crucifixo que vemos. Não é para menos, portanto, que nós Cristãos estimamos e usamos tanto a figura da cruz! E se nós a colocamos em toda parte, é para que nos lembremos, continuamente, de todos esses fatos e ensinamentos:

 

– Nós colocamos o crucifixo na igreja, sobre o altar, para nos recordar que o sacrifício sagrado da cruz é ali repetido, em cada nova Santa Missa que é rezada;

 

– Nós o colocamos nas nossas casas, para nos lembrar de viver continuamente à luz dos ensinamentos de Cristo;

 

– Nós o penduramos nas salas de aula e nos locais de trabalho, a fim de ficarmos atentos para que tudo o que realizarmos seja feito nEle e por Ele, que morreu impiedosamente por nós, naquela cruz;

 

– Nós o colocamos nas enfermarias dos hospitais e nas mãos dos agonizantes, em sinal de Fé no poder e na misericórdia do Cristo Crucificado;

 

– E nós penduramos a cruz no peito, para carregarmos em nosso coração todo esse seu maravilhoso e profundo significado.

 

Que ao nos recordarmos da Paixão e morte do Cristo, através do crucifixo, Deus nos abençoe com uma vida mais santa e mais abundante dos valores espirituais à qual Jesus, à custa de Sua própria vida, nos desejou conduzir.

 

 

 

Texto escrito por

Marcos de Lacerda Pessoa

em setembro de 2005.

 

Para recomendar esta página a alguém,

clique no escudo acima.