O Poder da Intercessão

 

“Está doente (ou aflito, ou angustiado) algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente (ou aflito, ou angustiado), e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação” (S. Tiago 5, 14-16).

 

Certa vez, na sala de espera de um consultório médico, sentei ao lado de uma senhora encantadora, mas que me pareceu bastante enfraquecida e muito sofrida.

 

Ao perceber o meu claro desconforto por eu ter notado o seu debilitado estado de saúde, ela sorriu para mim e perguntou:

 

- “Por que você acha que Deus ainda está me mantendo viva?”.

 

Como eu não soube responder, não lhe disse nada, apenas lhe retribuí o amável sorriso.  Ela passou então a me contar que o seu único filho havia roubado todo o dinheiro que ela possuía, para gastá-lo com as drogas. Em seguida, falou dos inúmeros problemas que tem enfrentado com o filho, até que decidiu concluir, respondendo à própria pergunta que me fizera, dizendo:

 

- “Deus está me mantendo viva para que eu ore por meu filho”.

 

Aquela conversa com a piedosa senhora pôs-me a pensar. Muitas vezes, nós nos sentimos impotentes por causa de uma pessoa querida que esteja enfrentando uma situação difícil e que nos parece estar irremediavelmente perdida. Todavia, como aquela senhora me indicou (e como nos Ensina o Livro do Eclesiástico 18,22): sempre podemos orar!

 

Agora imagine você, por exemplo, que a mãe de seu melhor amigo acabou de receber a notícia de que ela possui uma doença gravíssima e incurável. Seu amigo está desesperado e você logo pensa: “o que posso fazer para ajudar?”.

 

Ou suponha que o seu vizinho, de quem você gosta muito, fez um negócio errado e acabou perdendo tudo aquilo que possuía, tendo que vender todos os seus bens, inclusive a casa onde mora. Vocês sempre estiveram juntos em todos os momentos de alegria, mas... E agora, como você pode ajudá-lo a enfrentar essa situação de dificuldade?

 

Ou ainda, quem sabe, considere que um colega de trabalho conta a você que a esposa, inesperadamente, resolveu sair de casa e deixá-lo com a guarda dos dois filhos pequenos. Você terá palavras para confortá-lo?

 

Quando alguém passa por uma situação difícil de perda ou de dor, apesar de querermos ajudar, quase sempre não sabemos como agir e nem encontramos o que dizer; e, além disso, temos receio de que nossa tentativa de auxílio possa piorar as coisas ainda mais.

 

Mas, então, o que podemos fazer?

 

Primeiramente devemos tomar consciência de que, nessas horas difíceis, aquilo que a pessoa ‘menos precisa’ é de nossos conselhos. Devemos lembrar sempre das Sagradas Escrituras, onde , ao passar por um enorme sofrimento, tudo o que queria era a simpatia e a empatia dos outros.

 

Precisamos lembrar que nossos entes queridos simplesmente desejam, nos momentos de grande sofrimento, a companhia de alguém quieto, compreensivo, que escuta mais do que fala, e não julga nem deseja dar conselhos.

 

O melhor amigo que se pode ter é aquele que, nos momentos difíceis, está pronto para oferecer um abraço compreensivo e carinhoso, fazendo-se disponível para compartilhar um "nó na garganta".

 

 

E, acima de tudo, é aquele que está pronto para oferecer uma oração, intercedendo junto ao Pai para o alívio daquele sofrimento.

 

Nessas horas, não precisamos nos preocupar em encontrar as palavras certas para dizê-las à pessoa que está aflita ou angustiada.  Ao invés disso, devemos apenas fazer-nos presentes, oferecendo uma oração sincera, pois Deus acolhe de imediato a intercessão que fazemos por nossos entes queridos, tendo em vista que essas são orações muito puras, plenas de amor e desprovidas de egoísmo. E, concluindo, lembremos que foi exatamente essa ‘intercessão pelo próximo’ que Nosso Senhor quis nos ensinar, quando, durante a última ceia, disse a Simão Pedro: -“Simão, Simão... roguei por ti...” (S. Lucas 22, 31-32).

 

 

alegrai-vos com os que se alegram;

chorai com os que choram”

(Romanos 12,15)

 

 

Texto escrito por

Marcos de Lacerda Pessoa

e publicado no jornal

“O Capuchinho”,

Ano VI – Jan/Fev de 2005,

Paróquia de N. Sra. das Mercês,

Curitiba – PR.

 

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