Obrigado, Lúcia!
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“Não se iludam, pois com Deus não se brinca: cada um colherá aquilo que tiver semeado. Não nos
cansemos de fazer o bem; se não desanimarmos, quando chegar o tempo, colheremos. Portanto,
enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, especialmente aos que pertencem à nossa família na fé” (Gálatas,
6:7,9-10). Às vésperas de completar 40 anos de idade, Lúcia mal pode
acreditar no que está ouvindo. Geraldo, com quem é casada há 20 anos, acaba de lhe dizer que
conheceu outra mulher e se apaixonou por ela. O mundo parece desabar sobre Lúcia. Seu marido a havia traído
e está de malas arrumadas, prestes a sair de casa após duas décadas de um
relacionamento que, para ela, sempre pareceu perfeito. Geraldo mostra
simplesmente ignorar a vida que tiveram juntos.
Quando ele sai de casa, Lúcia sente-se mal, suas pernas amolecem e ela cai
sentada na poltrona da sala. Ouve-se então alguém tocando insistentemente a campainha.
Lúcia abre os olhos, levanta-se da poltrona e vai atender quem está à porta.
Era o entregador da confeitaria, pois Lúcia havia encomendado um lindo bolo
para que, ao lado de Geraldo, comemorassem juntos o seu
aniversário de 40 anos. Foi quando ela percebeu que havia ficado dormindo (ou teria
“desmaiado” ali na poltrona?), por várias horas! Lúcia recebeu o bolo, fechou
a porta e sentou-se à mesa, sozinha. O que deveria ser o aniversário mais
alegre de sua vida, de repente tornara-se o mais doloroso de todos. Ainda sem acreditar no que estava acontecendo com ela, resolve
tomar um banho, arruma-se e sai de casa. Decide então passar na igreja, lugar
ao qual ela sempre recorria nos momentos de alguma dúvida ou dificuldade e
também nas alegrias e conquistas. Ela amava a Deus e fora sempre uma pessoa
que transmitia, a todos os que a conheciam, muito
amor e uma enorme fé. Ao entrar na igreja, Lúcia ajoelha-se e começa a orar
fervorosamente, perguntando a Deus o por quê daquilo
tudo que estava lhe ocorrendo, pois afinal, ela tinha certeza de que havia feito
sempre o melhor que pode para ser uma esposa fiel, carinhosa e dedicada.
Lúcia não sabe quanto tempo ficou ali ajoelhada, em oração, mas recorda-se
bem do momento em que ouviu uma voz, alta e clara, lhe dizendo: - “Vá até o
salão paroquial...”. Lúcia olhou em
volta, mas não encontrou ninguém por perto. Verificou que só havia ela na
igreja. Volta então a rezar, quando novamente ouve a mesma voz lhe dizendo: -
“Eu preciso de você, vá até o salão paroquial...”.
Intrigada com aquilo, Lúcia resolveu dirigir-se ao salão da
igreja, onde percebeu que estava sendo realizado um encontro, com a presença
de algumas poucas pessoas. Era a primeira reunião que o pároco fazia, com a intenção de organizar um grupo de apoio às
famílias. Naquele momento, o padre passava um formulário a todos os
presentes, a ser preenchido por aqueles que desejassem colaborar com a
organização daquela nova iniciativa da paróquia. Ainda muito perturbada com todos os acontecimentos que estavam
ocorrendo com ela naquele dia, Lúcia, sem saber ao certo o porquê, lembra de
ter colocado seu nome e endereço no formulário. Passados cinco anos daquele inusitado dia, Lúcia recebeu a
notícia de que seu ex-marido, Geraldo, havia falecido em um albergue para
alcoólatras. Ele estava sozinho, pois sua nova mulher o havia abandonado. Hoje é novamente aniversário de Lúcia. Ela, que completa 45
anos de idade, acordara cedo, dirigindo-se àquele
mesmo salão paroquial, como passara a fazer diariamente, nos últimos cinco
anos. Ao entrar no salão, porém, ela tem uma surpresa. Mais de 300
casais, que Lúcia tinha ajudado a recuperarem seus casamentos no grupo de
apoio familiar que ela passou a coordenar, a estavam
esperando em silêncio, e começam, todos juntos, a lhe cantar os “Parabéns”! Nisso, o pároco aproxima-se de Lúcia, que já estava com os
olhos cheios de lágrimas. Ele a dirige para o centro do salão, onde havia um
enorme bolo lhe aguardando, com os dizeres: “OBRIGADO, LÚCIA! VOCÊ SALVOU OS NOSSOS CASAMENTOS!” Aos 46 anos de idade, Lúcia casou-se novamente, com Pedro, um
simpático e bondoso comerciante aposentado, que também é muito religioso. Ambos, que vivem em grande harmonia e felicidade, dedicam suas
vidas ao aconselhamento de casais. Estima-se que seu trabalho já beneficiou
mais de duas mil famílias. Lúcia nunca deixou de rezar a Deus e de agradecer pelas
imensas graças que recebeu em sua vida. Ela sempre diz que o trecho da Bíblia que mais gosta é o de
Romanos 8,28, que fala que “todas as coisas cooperam
para o bem daqueles que amam a Deus”. Texto
escrito por e publicado no jornal “O Capuchinho” de Julho de 2004. Paróquia
de N. Sra. das Mercês, Curitiba
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